Graziela ministra palestra sobre legal design e formatação de petições
No dia 27 de julho, a Comissão da Jovem Advocacia (CJA) da OAB/RS de Caxias do Sul recebeu a advogada Graziela para uma palestra que reuniu advogados interessados em aprimorar uma habilidade essencial e muitas vezes subestimada do dia a dia: a arte de escrever petições claras, objetivas e persuasivas.
Com uma abordagem prática e didática, Graziela conduziu os presentes por um panorama que uniu técnica jurídica, comunicação eficiente e os princípios do Legal Design aplicados à advocacia contenciosa.
Um novo olhar sobre a petição
Logo no início da palestra, Graziela provocou os advogados com uma reflexão simples, mas poderosa: para quem, afinal, escrevemos nossas petições?
Segundo ela, muitos advogados ainda redigem pensando em impressionar colegas de profissão, quando na verdade o destinatário real do documento é o magistrado: um profissional que analisa dezenas de processos por dia e que precisa compreender rapidamente os fatos, os fundamentos e o pedido. "Uma petição bem escrita não é a mais longa, nem a mais rebuscada. É aquela que o juiz lê, entende e decide com convicção", destacou.
Formatação: o primeiro contato importa
Um dos pontos centrais da palestra foi a formatação visual das petições. Graziela demonstrou, na prática, como pequenos ajustes visuais podem transformar a experiência de leitura de um documento jurídico:
- Hierarquia de títulos e subtítulos bem definida, permitindo que o leitor localize rapidamente cada seção da peça.
- Espaçamento adequado entre parágrafos, evitando blocos de texto densos e cansativos.
- Uso estratégico de negrito e destaques, sem excessos, para chamar atenção aos pontos verdadeiramente relevantes.
- Tabelas, quadros comparativos e linhas do tempo, especialmente úteis em processos com múltiplos fatos, valores ou datas.
- Resumo nas petições iniciais (nova obrigatoriedade imposta pelo STJ).
A advogada ressaltou que formatar bem não é enfeitar, é respeitar o tempo de quem lê e, ao mesmo tempo, tornar os argumentos mais acessíveis.
Legal Design aplicado ao contencioso
Graziela dedicou uma parte importante da palestra ao Legal Design, explicando que a metodologia vai muito além da estética. Trata-se de aplicar princípios de design da informação para tornar documentos jurídicos mais compreensíveis, funcionais e persuasivos.
No contexto das petições, isso significa organizar as informações de forma lógica, utilizar recursos visuais quando eles agregam clareza, adotar uma linguagem mais direta (sem perder o rigor técnico) e estruturar a narrativa de modo que o julgador consiga acompanhar o raciocínio jurídico sem esforço.
Ela apresentou exemplos reais de petições "antes e depois", nas quais a simples reorganização visual e textual transformou peças confusas em documentos claros e impactantes, sem alterar o conteúdo jurídico substancial.
Clareza, objetividade e persuasão: o tripé da boa petição
Ao longo da palestra, Graziela reforçou que uma petição eficaz se apoia em três pilares que caminham juntos:
Clareza: escrever de forma que qualquer pessoa consiga entender os fatos e o pedido. Evitar parágrafos longos e vocabulário rebuscado sem função técnica.
Objetividade: ir direto ao ponto. Cortar repetições, eliminar informações irrelevantes e apresentar apenas o que realmente sustenta a tese.
Persuasão: construir uma narrativa coerente, ancorada em provas e fundamentos jurídicos sólidos, capaz de convencer o julgador da razão do cliente.
Dicas práticas compartilhadas
Entre as recomendações práticas apresentadas, algumas se destacaram e foram bastante comentadas pelos participantes:
- Começar a petição com um resumo claro do caso, para que o juiz entenda de imediato do que se trata.
- Usar parágrafos curtos, com uma ideia por parágrafo.
- Preferir a voz ativa à voz passiva sempre que possível.
- Destacar a petição de forma estratégica
- Revisar sempre — de preferência, com um intervalo entre a redação e a revisão final.
- Utilizar elementos visuais
Ao final da palestra, o público participou ativamente com perguntas e relatos de experiências. Muitos jovens advogados destacaram como a abordagem de Graziela desmistificou a ideia de que "petição boa é petição complicada" e trouxe ferramentas concretas para aplicar já no dia seguinte na rotina de trabalho.