Júlia Premaor é entrevistada na Rádio Caxias
Nossa sócia Júlia Premaor participou, ao lado da advogada Fernanda Pimentel, de uma entrevista na Rádio Caxias dedicada aos desafios relacionados ao uso da tecnologia e das redes sociais por crianças e adolescentes.
Durante o programa, as entrevistadas abordaram questões que fazem parte de um debate cada vez mais presente entre famílias, escolas e profissionais: os limites da legislação diante da velocidade das transformações tecnológicas, o acompanhamento dos pais e responsáveis, os mecanismos utilizados pelas plataformas para estimular a permanência dos usuários e os riscos associados à exposição de jovens no ambiente virtual.
Legislação e participação dos pais
Um dos pontos destacados por Júlia foi a dificuldade de a legislação acompanhar, na mesma velocidade, as mudanças provocadas pelo desenvolvimento de novas tecnologias, plataformas e formas de interação digital.
Nesse contexto, a atuação dos pais e responsáveis assume papel especialmente relevante. A discussão ressaltou que oferecer um celular ou permitir o acesso às redes sociais envolve também decisões relacionadas à idade, ao tempo de uso, às plataformas utilizadas e ao tipo de acompanhamento adequado para cada fase do desenvolvimento.
A fiscalização, conforme discutido durante a entrevista, não significa assumir uma postura de controle absoluto sobre as conversas dos filhos. O acompanhamento envolve presença, diálogo e conhecimento sobre os ambientes digitais dos quais crianças e adolescentes participam.
Redes sociais e mecanismos de engajamento
A forma como as próprias plataformas são desenvolvidas também esteve entre os temas da entrevista.
Recursos como a rolagem infinita, a recomendação sucessiva de conteúdos e os mecanismos de interação podem estimular períodos prolongados de utilização. Júlia chamou atenção para a importância de compreender essas características ao avaliar a relação de crianças e adolescentes com as redes sociais.
O acompanhamento, portanto, não deve considerar somente o número de horas diante de uma tela. Alterações na rotina, maior isolamento, dificuldades de socialização e mudanças persistentes de comportamento também podem servir de alerta para pais e responsáveis.
O uso de celulares no ambiente escolar
Júlia Premaor e Fernanda Pimentel também discutiram a presença dos celulares nas escolas.
Durante a conversa, foi relatada a experiência de instituições que passaram a restringir ou recolher os aparelhos no início do período escolar e observaram mudanças na convivência entre os estudantes, com maior interação presencial nos intervalos e participação nas atividades.
A discussão reforça que o uso da tecnologia por crianças e adolescentes não envolve apenas escolhas individuais ou familiares. Escolas e demais instituições que integram sua rotina também precisam estabelecer critérios e práticas compatíveis com a proteção e o desenvolvimento dos jovens.
Cyberbullying e exposição a ambientes virtuais de risco
Outro ponto relevante da entrevista foram os riscos associados às interações virtuais.
O anonimato e a possibilidade de criação de diferentes perfis podem dificultar a identificação de determinadas condutas e contribuir para situações de cyberbullying. Além disso, comunidades e grupos em plataformas digitais podem expor jovens a conteúdos e interações prejudiciais.
Foram mencionados, durante o programa, ambientes em plataformas como Telegram e Discord nos quais podem surgir grupos que reforçam isolamento ou incentivam comportamentos nocivos.
Para Júlia, conhecer os espaços digitais frequentados pelos filhos e observar como as experiências virtuais repercutem no comportamento presencial são partes importantes desse acompanhamento.
Apoio especializado também integra a rede de proteção
A entrevista também abordou a importância do apoio psicológico diante de dúvidas ou mudanças comportamentais.
Nem sempre pais e responsáveis conseguem identificar sozinhos a origem de alterações na rotina ou na forma de agir de crianças e adolescentes. Nessas situações, a avaliação de profissionais especializados pode contribuir para compreender o contexto e orientar tanto os jovens quanto suas famílias.
A proteção no ambiente digital, portanto, envolve diferentes dimensões. Legislação, regras institucionais, educação digital, acompanhamento familiar e suporte especializado precisam ser considerados conjuntamente diante de uma realidade tecnológica em constante transformação.
A participação de Júlia Premaor e Fernanda Pimentel no programa contribuiu para ampliar essa discussão, reunindo aspectos jurídicos, familiares e comportamentais relacionados ao uso responsável da tecnologia por crianças e adolescentes.
Entrevista na íntegra: acesse o conteúdo completo no YouTube