Raphael Di Tommaso palestra sobre IA no Cidade da Advocacia 2026
Nosso sócio Raphael Di Tommaso foi um dos palestrantes do Cidade da Advocacia 2026, evento promovido pela OAB/RS entre os dias 4 e 8 de agosto, no Cais Embarcadero, em Porto Alegre. A quinta edição encerrou com 37 mil inscritos e consolidou-se como o maior encontro jurídico do Brasil.
Na quarta-feira, 5 de agosto, Raphael foi mediador do painel “IA, Governança e Risco: o novo mapa do compliance”, que integrou o encontro temático “Compliance e Governança em Alerta: os riscos que movem empresas, mercado e poder público – e o papel estratégico da advocacia”.
O painel reuniu a advogada Gabriela Coelho, especialista em proteção de dados, e Christian Karl de Lamboy, gerente executivo de Governança, Riscos e Compliance da Volkswagen para a América do Sul. Raphael participou a convite da Presidente da Comissão de Compliance da OAB/RS, a advogada Roberta Schaun.
IA, governança e o novo mapa de riscos
A inteligência artificial está cada vez mais presente na rotina das empresas. Ferramentas são utilizadas para análise de informações, automação de processos, produção de conteúdo, atendimento, apoio à tomada de decisões e diversas outras aplicações.
Esse avanço amplia as possibilidades de inovação, mas também cria novos pontos de atenção para as estruturas de governança e compliance.
Durante o painel, foi apresentado um panorama sobre governança em inteligência artificial, proteção de dados e boas práticas relacionadas à LGPD e ao compliance. O debate abordou a necessidade de compreender quais dados são utilizados, para quais finalidades e quais controles devem acompanhar a adoção dessas tecnologias.
A utilização de inteligência artificial não pode ser analisada apenas sob a perspectiva da eficiência. Quanto maior a participação da tecnologia em processos relevantes da organização, maior a necessidade de definir responsabilidades, limites, critérios de supervisão e mecanismos de controle.
O tema vem sido abordado de forma cada vez mais frequente em eventos da OAB voltados ao Direito Empresarial e ao Compliance. Em abril, nosso sócio já havia participado de evento promovido pela OAB de Caxias do Sul (RS), ao lado do ex-Secretário de Inovação do Rio Grande do Sul, Alsones Balestrin, e do Secretário de Transparência, Controladoria e Governo Digital de Canoas (RS) Gustavo Ferenci.
O desafio da IA no ambiente corporativo
Christian de Lamboy trouxe ao debate a perspectiva empresarial, compartilhando desafios relacionados à adoção da inteligência artificial a partir de sua experiência na área de Governança, Riscos e Compliance da Volkswagen na América do Sul.
A aplicação corporativa da IA envolve questões que ultrapassam a escolha da ferramenta. É preciso considerar a forma como ela se integra aos processos existentes, quem pode utilizá-la, quais informações podem ser inseridas, como os resultados serão validados e de que maneira eventuais riscos serão identificados e tratados.
A participação de diferentes áreas também se torna importante. Tecnologia, jurídico, proteção de dados, segurança da informação, gestão de riscos e compliance precisam dialogar para que a inovação esteja integrada à estrutura de governança da organização.
Compliance diante de novos riscos
A inteligência artificial introduz riscos que nem sempre se enquadram perfeitamente nos controles tradicionais das organizações. Sistemas podem utilizar informações inadequadas, gerar respostas incorretas, influenciar decisões ou executar atividades sem que todos os envolvidos compreendam exatamente como determinado resultado foi produzido.
Nesse cenário, governança significa estabelecer critérios antes que o problema aconteça.
Quem pode utilizar determinada ferramenta? Quais dados podem ser processados? Que decisões precisam obrigatoriamente de revisão humana? Como registrar o uso da tecnologia? Quem responde por incidentes ou resultados inadequados?
Essas perguntas passam a fazer parte do novo mapa do compliance.
A discussão também reforçou que a criação de estruturas regulatórias e internas para o uso da inteligência artificial não significa impedir a inovação. O objetivo é permitir que novas tecnologias sejam incorporadas de forma compatível com os riscos, responsabilidades e objetivos de cada organização.
Cidade da Advocacia 2026
A edição de 2026 foi a maior da história da Cidade da Advocacia. No dia 5 de agosto, a OAB/RS já registrava mais de 34 mil inscritos, superando os números das edições anteriores. Ao final dos cinco dias, o evento alcançou 37 mil inscrições.
A programação reuniu profissionais de diferentes áreas do Direito e dedicou espaço relevante a temas ligados a inovação, inteligência artificial, tecnologia e às transformações que já impactam a advocacia e as empresas.
Além de acompanharem a evolução das ferramentas, as organizações precisam compreender como integrá-las aos seus processos com critérios claros, responsabilidades definidas e mecanismos capazes de identificar e administrar riscos.
A inteligência artificial amplia as possibilidades de transformação das empresas, mas a governança e o compliance são parte da estrutura necessária para que essa transformação aconteça com segurança.