Raphael fala na RBS TV sobre riscos da exposição infantil na internet
A exposição de crianças e adolescentes na internet representa um desafio crescente para famílias e sociedade, especialmente com o avanço das tecnologias digitais. Recentemente, especialistas do Rio Grande do Sul analisaram os perigos associados a essa prática, destacando como imagens aparentemente inocentes podem ser manipuladas por criminosos. Nosso sócio foi um dos entrevistados pela jornalista Carolina Aguaidas e destacou os riscos associados ao excesso de exposição, além de dar orientações aos pais, alinhadas a princípios de governança digital e proteção de dados pessoais.
A reportagem também ouviu a empresária Marília Machado, a psicóloga Indianara Sehaparini e o casal de jornalistas Marcelo Crispim da Fontoura e Ana Cecília Nunes.
Principais riscos identificados pelos especialistas
De acordo com análises dos entrevistados, a exposição infantil na internet pode levar a consequências graves, incluindo a manipulação de imagens por criminosos. Fotos e vídeos de crianças, compartilhados em redes sociais, correm o risco de ser alterados ou utilizados indevidamente, atraindo abusadores e facilitando crimes como fraudes e exploração sexual online. Pais e responsáveis devem estar sempre atentos e considerar limites para evitar esses perigos, pois conteúdos "inocentes" podem ser explorados de formas imprevisíveis.
Os riscos incluem:
- Exploração: organizações como a SaferNet relataram um crescimento significativo em relatos de pornografia infantil nas redes, impulsionado por casos virais que expõem vulnerabilidades.
- Dificuldades no combate: mesmo com sistemas de detecção avançados, a exposição indevida persiste, demandando maior vigilância de plataformas e autoridades.
- Impactos no desenvolvimento: a chamada "adultização" precoce, promovida por conteúdos virais, pode afetar o bem-estar psicológico de menores
- Cyberbullying: as imagens podem ser utilizadas, tanto no presente quanto no futuro, para ataques e agressões.
- Manipulação com inteligência artificial: ferramentas de IA têm sido largamente utilizadas indevidamente para a manipulação de imagens, tanto para a geração de pornografia quanto para a prática de golpes.
Esses pontos reforçam a necessidade de uma abordagem preventiva, integrando educação digital e regulamentações legais.
Implicações legais e a LGPD na proteção de menores
No contexto brasileiro, a LGPD oferece um framework essencial para proteger dados pessoais, inclusive os de crianças e adolescentes. A lei exige uma série de medidas de segurança para o tratamento de informações associadas a pessoas físicas, o que inclui imagens de menores. Raphael, que é membro da Comissão de Direito Digital da OAB de São Paulo e da Comissão de Proteção de Dados e Privacidade da OAB do Rio Grande do Sul, destaca que a exposição online pode violar princípios de privacidade, podendo levar até mesmo à responsabilização perante o judiciário.
Instituições como a Polícia Federal também destacam que imagens compartilhadas publicamente podem atrair abusadores e outros criminosos. Ao mesmo tempo, juristas de todo o País vêm cobrando um combate mais ativo à violência digital, tanto em relação às fraudes cada vez mais frequentes quanto em relação à violência contra os jovens. A certeza da impunidade vem servindo de incentivo às práticas ilícitas, gerando prejuízos de trilhões de reais.
Dicas para pais e responsáveis
Para mitigar os riscos da exposição infantil na internet, especialistas recomendam:
- Estabelecer limites claros no compartilhamento de fotos e vídeos.
- Limitar o compartilhamento a amigos próximos.
- Dependendo do conteúdo, postar como story ou outra forma de compartilhamento temporário.
- Utilizar configurações de privacidade avançadas em redes sociais.
- Evitar imagens que possam identificar rotinas das crianças e adolescentes.
- No caso de pais divorciados, sempre considerar a opinião de ambos.
- Educar crianças sobre perigos online, incentivando diálogos abertos.
- Monitorar o uso de dispositivos e considerar ferramentas de controle parental.
Essas medidas, aliadas a uma conscientização sobre ética e segurança de dados, podem reduzir vulnerabilidades significativas.
Conscientização é indispensável
A avaliação dos especialistas ouvidos pela reportagem serve como um chamado urgente para ação. Com o aumento de casos de manipulação e exploração, alavancado por ferramentas de inteligência artificial, é essencial que pais, educadores e legisladores priorizem a proteção digital.
A reportagem completa está disponível na página do Jornal do Almoço no G1.